CRUILLA BARCELONA 2018
Texto e fotos: Mauricio Melo & Snap Live Shots
Não cansaremos de elogiar o eclético festival Cruilla Barcelona. Foram inúmeras as vezes que o fizemos em edições passadas e aqui destacaremos mais um de seus golaços com o meio ambiente. Já que o mundo inteiro inicia uma campanha com relação ao lixo plástico, algo que este festival já havia iniciado há tempos, o Cruilla apresentou este ano seus copos plásticos fabricados de milho verde e mais, biodegradáveis. Sim, é possível! Basta querer e educar que a gente consegue. LEER MÁS + GALERIA DE FOTOS
Já o cartaz, eclético como foi dito acima e um verdadeiro filé mignon com direito a uma sobremesa que, infelizmente, fomos obrigados a dispensar por um motivo mais do que justificável, o Barna N’ Roll que coincidiu no mesmo fim de semana, o que nos impossibilitou de frequentar aos três dias de evento.
Responsável por abrir o festival, recebeu bom publico ainda que essa seja uma difícil missão. Seasick Steve e seu amplo repertorio de riffs e guitarras, algumas delas feitas pelo próprio e já que a moda é chamar de artesanal, estão aí umas guitarras do tipo. Guitarras de seis cordas, de três ou mesmo de uma só corda, feitas com latas e otras cositas mais e que surpreendeu mesmo aos que já conheciam o som do coroaço. Recebemos ali, numa tarde de quinta-feira uma verdadeira aula de blues. Na dúvida, escute você mesmo temas como “Don’t Know Why She Love Me But She Do” e “Barracuda ‘68”. O cidadão não está nessa aventura em solitário, conta com um baterista loucura total, Dan Magnusson e um segundo guitarrista, Luther Dickinson, que sentado ao lado da bateria, solta uns riffs de arrepiar. Steve se mostrou comunicativo e engraçado com o publico além de “derrubar” uma boa garrafa de vinho durante o set. Não nos espantamos quando o vimos passeando pelo festival com cara de feliz e com as pernas pesadas.
A grande atração internacional do dia foi Jack White, grande admirador de Seasick Steve e que se esforçou ao máximo em fazer uma grande apresentação e que apesar de incluir quase uma dezena de temas do White Stripe, viu o publico delirar de verdade com “Steady As She Goes” de seu outro projeto, The Raconteurs, isso já em reta final de set. Antes disso, “Over and Over and Over”, “Just One Drink” e “Sixteen Saltines” como parte de sua carreira solo junto a “Black Math”, “Cannon” e “Seven Nation Army” (como ultima do set) do finado The White Stripes fizeram a festa da galera. Ponto negativo da tarde? Senhor White não deixa fotógrafos trabalharem, bem, ele mudou de ideia e nos colocou na mesa de som com uns 100 metros de distancia. Típico artista que esquece suas origens, pelo menos nesse quesito ou deve acreditar que na Espanha fotografo de show é bem pago, ou pelo menos, pago.
Engana-se quem acha que a noite acabou. O grande finale e o mais esperado pelo publico foi Enrique Bunbury. Resumindo, o cidadão foi vocalista de um dos maiores nomes do rock espanhol do anos 80 e 90, Heroes del Silencio, que é uma verdadeira lenda e um arrasta multidão. Diga-se de passagem, musicalmente não faz minha cabeça mas reconheço a alta qualidade de sua apresentação e o compromisso assumido com seu imenso publico. Músicas de seu antigo grupo levam ao delírio seus fãs, provocam lagrimas e o mesmo não se nega a canta-las. Para a ocasião “Maldito Duende”, “Mar Adentro” e “Heróe de Leyenda” foram as escolhidas. Um verdadeiro showman.
A sexta-feira começou quente, literal e musicalmente. Em nossa rápida visita a um dos palcos secundários, tivemos a oportunidade de ver Camille. A francesa chamou mesmo atenção ao cantar “Too Drunk To Fuck” dos Dead Kennedys, uma versão bossa nova experimental, assim como boa parte de seu set. No palco principal um bom publico esperava a apresentação do N.E.R.D. Bem, na verdade esperavam para ver Pharrell Williams cantar, falar palavrão, saltar e rapear. O show pareceu mais de Trap (estilo musical que vem criando polemica) do que de rap. Não faltaram os sucessos do projeto como “Rock Star”, “She Wants To Move” e “Lemon” além de covers do Daft Punk, Gwen Stefani e The White Stripes.
Outro grande nome do festival foi Gilberto Gil, ao qual o público estrangeiro gosta muito. Tanto é que, apesar da linha de frente ser tomada por brasileiros, um grande publico se fez presente e não arredou pé para priorizar algum outro artista que coincidisse em horário. O que possivelmente não estava no script , foi a entrada do ex-Ministro na sexta ou sétima música. Mesmo assim, o show de celebração do Refavela estava de pé e agradou. Gil também cantou Three Little Birds do Bob Marley e dedicou à Damian “Jr. Gong” Marley que também estava no evento e tocaria no mesmo dia, porém mais tarde.
Talvez o grande nome do cartaz e um dos responsáveis, senão o responsável por um quase sold-out de sexta-feira, foi o Prophets Of Rage e sua legião de órfãos que deixou o Rage Against The Machine. Para os que não tiveram o privilegio de assistir ao RATM, está aí uma boa opção. Agora, se você foi um dos felizardos, prepare-se para se divertir sem compromisso. Ainda que o grupo levante a mão com punhos serrados, ainda que suba uma estrela vermelha ao fundo e que Tom Morello coloque cartazes em sua guitarra como “Fuck Trump” ou “Catalunya Lliure”, o Prophets não é mais do que uma versão descafeinada de seu antigo grupo. Desculpa a sinceridade mas nas palavras acima você não encontrará “ruim”, “fraco” ou qualquer uma dessas classificações, até porque nem caberia, é um showzaço e não tenho a menor duvida disso. Não é todo dia que estamos diante de grandes nomes da música como os já mencionados Tom Morello e Chuck D como pregadores máximo de suas bandas de origem (RATM e Public Enemy) além de B-Real (Cypress Hill), Tim e Brad (RATM) e o DJ Lord e muito menos assisti-los tocando músicas explosivas como “Testify”, “Gerrilla Radio” ou “Bulls On Parade” mas é isso. A pólvora dessas explosivas canções possui menos quantidade e poder de fogo ou como disse antes, falta cafeína. Volto a dizer, bebidas sem cafeína possuem o mesmo sabor, principalmente o café e não me venha dizer que sim a menos que seja um Barista, mas no final do dia falta um gás. Já músicas do Public Enemy e do Cypress Hill como “Fight The Power” e “How I Could Just Kill a Man” ganham muita força por conta dos instrumentos e duas distorções. Do disco atual da banda somente “Living On The 110” foi tocada mas quem se importa? as pessoas queriam mesmo é gritar “Killing In The Name” com cara de felicidade, não sei se ignorando a letra ou mesmo sem saber do que se trata, talvez a falta de pólvora, cafeína ou raiva não faz tanta diferença em grande parte da juventude atual.
Sábado e ultimo dia de festival, passaram por lá The Roots e David Byrne que, dizem, fez um show sensacional. Nós, por lá não estávamos já que um compromisso mais punk nos chamava.
De todos os festivais que acontecem anualmente, o Cruilla é e sempre será um de nossos favoritos. É muito bom trabalhar no ambiente proporcionado por seus profissionais. Indico e sempre o farei. Aos viajantes que passem por Barcelona a princípios de Julho em busca de férias e diversão, está aí um evento de alto nível
Até.
GALERIA DE FOTOS
Prophets of Rage
N.E.R.D.





















No hay comentarios:
Publicar un comentario