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ENTREVISTA: Kurt Brecht - Dirty Rotten Imbeciles

ENTREVISTA
Kurt Brecht - D.R.I.
Estraperlo Club del Ritme
13/03/2011 

Kurt Brecht @ Estraperlo 2011 by Snap Live Shots

Domingo, 13 de Março de 2011.  Pouco mais de quatorze anos após meu primeiro e único encontro com a lendária banda Dirty Rotten Imbeciles no nostálgico Garage Art Cult no Rio de Janeiro, fato que por curiosidade também ocorreu em um dia de Domingo, lá seguiamos em direção ao Estraperlo Club del Ritme, de Badalona (Barcelona).  Só que desta vez com uma página de perguntas pronta para serem respondidas e muita curiosidade de como encontrar a banda, que aterriza no Brasil no mês de Abril para uma série de shows, após um longo hiato sonoro, tanto ao vivo quanto de estúdio.  Outra curiosidade que não queria calar, e mais que um desafio, seria encontrar a melhor maneira Kurt Brecht falar, já que o vocalista e um dos fundadores da banda tem fama de responder suas perguntas com a mesma velocidade que canta suas letras, ou seja, rápido e direto.


Quem nunca escutou um disco do D.R.I. com certeza conhece alguma de suas músicas através de covers gravados por Slayer por exemplo como, Violent Pacification.  Com certeza o skanker também foi e é um dos simbolos mais vistos no mundo underground, quem nunca viu aquele "bonequinho" como se estivesse numa roda de mosh-pit?  Atualmente fazer um disco hardcore é muito fácil, agora, em 1982 gravar um disco com músicas que não superavam um minuto de duração e que os instrumentos mais pareciam desafinados e descobrir que quase trinta anos depois ninguém foi capaz de igualar tal obra é espantoso.  

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Assim que ao chegar em nosso local de encontro a notícia era de que Kurt estaría dormindo, era de se entender já que Barcelona sería o último show de uma série na Espanha e Portugal antes de seguir para Turquia, Bulgária, Holanda e que só acabaria dia 20 de Março sem dia de folga.  Tivemos a conciência de deixa-lo descançar por um tempo mais até que já não poderíamos atrasar mais e o próprio reconheceu que já era hora de estar de pé. "Tenho coisas à fazer, não sou apenas um vocalista também cuido do merchandising da banda e vendo discos e camisas quando estamos em turnê.  Quando não estamos viajando cuido da página web e do merchandising online".


Assim que, entre goles de café e bocejos iniciamos nossa informal conversa.  

Nossa primeira indagação não poderia ser outra, queremos saber sobre um disco novo já que a banda não grava nada há mais de quinze anos, ou esta volta foi só para uma turnê? "Os planos são para gravar um disco, pelo menos mais um.  Mas no momento estamos bem ocupados com as turnês, ficamos parados um tempo...Quando o Full Speed Ahead saiu saimos em turnê por uns tres anos, era a comemoração de vigésimo anivesário da banda, tocamos em vários países acho que podería até ser considerado uma turnê mundial (passamos até pelo Brasil).  É estranho que a cada vez que se volta de uma viagem, tenha que voltar à Europa ou ao Japão, agora retornaremos à América do Sul.  Por algum motivo não se coloca um freio nisto tudo e diz não, não queremos fazer o circuito novamente e sim lançar algo novo antes.  Porque pra gente, lançar algo novo representa ficar um ano sem fazer shows, parar com calma, escrever as músicas, gravar, produzir e esperar o momento de lançar e acima de tudo, somos uma banda que vivemos de shows, somos uma "live band".  Temos as músicas prontas mas estamos motivados a estar em turnê, então é difícil parar agora e entrar no estúdio, o momento chegará.  Deveriamos ter gravado no ano passado, durante o verão porque tinhamos marcado alguns shows que foram cancelados, daí que tinhamos tempo de sobra para gravar até porque só fizemos uns tres shows mas ficamos de bobeira, sem fazer nada, erro nosso.


Outra coisa que muito se falou foi em Spike Cassidy, o guitarrista teve uma doença grave, foi diagnosticado um cancer há cinco anos atrás e queríamos saber se isso influenciou numa volta ou na verdade atrapalhou os planos da banda, fazendo com que este hiato durasse mais tempo que o previsto?  "Spike está totalmente curado no momento.  Quando foi diagnosticado, faltavam duas semanas para o inicio de uma turnê norte-americana e tivemos que parar por quatro anos até que ele estivesse completamente recuperado e dissesse "estou pronto novamente" e daí iniciamos as atividades.


O que nos faz chegar a conclusão que o D.R.I. ficou mais tempo parado do que devia devido a outros problemas.  Deixando o lado pessoal de lado e retornando ao lado musical entramos no material antigo da banda, mais precisamente nos motivos que levaram a banda a relançar discos como Crossover por exemplo, lançar coletaneas, disco ao vivo gravado em 1986, etc, etc.

Talvez fosse uma maneira de não deixar o D.R.I. "morrer" e mostrar a nova geração o que representa a banda do skanker?  De um modo geral nem uma coisa nem outra.  Foi uma forma de recuperar os discos de uma gravadora e lança-los por uma nova, não deixar nas mãos de quem a gente não queria.  Beer City Records queria relançar em formato de vinil, até porque muita gente pedia, e já que haviam pedidos, porque não faze-lo?  


Como comentamos no inicio da matéria, esta foi uma das respostas ao melhor formato D.R.I., rápido e direto.  

Continuando com o assunto das "antigas", puxamos assunto do choque geracional e das diferentes formas que as bandas da atualidade encontram para criar seus discos e lembramos que sua banda iniciou as atividades por volta de 1982...Este foi um excelente ano, muitas bandas importantes começaram nesta época como Slayer e Metallica, ainda que também acredito que atualmente as coisas andam bem.  Acho que não podemos considerar que possa existir uma cena pop dentro do movimento porque a música ainda é abrasiva, hardcore para muita gente.  Muita gente gosta de outro tipo de música o que nós podemos considerar música ruim mas sempre existe as pessoas que gostam de hardcore, thrash e outros estilos.  Sabemos que este estilo de música não é e talvez nunca será totalmente popular entre todos mas cresceu bastante.  Bandas como Metallica, Green Day por exemplo se tornaram populares e podem ajudar a outras pessoas a conhecer este tipo de música... ou ao menos se interessar por ele...  Claro!  Imagina você sendo um garoto do qual a primeira banda que escuta é o Green Day e gosta muito, se interessa a saber as influencias desta banda, começa a se aprofundar no underground e descobre bandas como D.R.I. e outras e quando vê já está dentro de um movimento, levado por uma banda considerada popular e descobre de onde vem a influencia destas bandas.  Acredito que a cena vai crescendo gradualmente, principalmente se você considerar de quando começamos.


Por falar deste início, daqui a menos de um ano vocês completam trinta anos de estrada, vem algo especial ou só o disco já seria uma boa comemoração?

Pra ser sincero ainda não conversamos sobre isto.  


Alguma boa recordação que você tem destes anos de estrada?  Sem dúvida a primeira vez que tocamos ao vivo foi um grande momento.  Primeira vez que entramos num onibus para sair em turnê também é uma grande recordação e todas as coisas que vai descobrindo durante as viagens...E algum momento ruim? Definitivamente quando temos que cancelar algum show ou uma turnê inteira.


Algo que pode ser legal numa entrevista é tentar fugir do básico ou não ficar encima de um único tema.  Então aproveitamos que Kurt tem um novo projeto, chamado Pasadena Napalm Division, e lhe perguntamos alguns detalhes sobre este outro grupo.  Foi impressionante ver como a conversa se tornou mais animada, algo que parecia quase acabada.  O Pasadena Napalm Division está bem.  Tenho vendido alguns cds aqui durante a turnê, venho plantando as sementes pelas cidades que passamos, estamos  preparando um album estúdio e pensando em gravar algo até Maio, possivelmente com distribuição em Europa e Estados Unidos e fazer shows por aqui e por lá, por que não? alguns festivais como faremos com o D.R.I. este ano.  Também gostaríamos de saber a história por trás do nome...passamos quase um ano tentando encontrar um bom nome e atualmente com a internet é realmente fácil de saber quem está utilizando os nomes ou se alguém já utiliza o nome que até então você acha que é exclusivo.  A cada vez que encontrávamos um bom nome existiam cinco outras bandas com o mesmo (risos).  Mas uma das primeiras idéias de nosso guitarrista foi o Pasadena Napalm Division, porque seu pai trabalhou como químico no Texas e faziam napalm para a guerra do Vietnam, realmente existia um setor, uma divisão para fazer o napalm e ele queria utilizar isto.  De primeira gostei mas tive a sensação que nos limitaria a uma banda pequena, de uma cidade como Pasadena no Texas já que Pasadena na Califórnia é mais popular, etc, etc.  ao final não tínhamos nenhuma outra opção já ninguém utilizava este nome e atualmente somos felizes assim.


Ao perguntar se a música do Pasadena Napalm Division "Spell it Out" seria um grande obstáculo a ser tocada ao vivo, recebemos um grande sorriso que mais parecia ser uma resposta de, talvez.  Realmente tinha medo deste momento mas nosso baterista me fez praticar diariamente desde que começamos com esta mùsica, repetimos exaustivamente.  A primeira vez que se escuta esta música realmente se tem a sensação de que é impossível de se tocar ao vivo...o problema é memoriza-la inteira, não o fato de soletrar a letra que é o que parece difícil, o difícil é memorizar todas as letras na sequencia que tem que ser soletrada, foi difícil.  Estive me auto-desafiando neste álbum, existe uma música toda em italiano, outra toda soletrada, fazendo algo diferente e difícil ao mesmo tempo.


Também, após tantos anos sem vê-lo à frente de uma banda gostaríamos de saber como era um dia de Kurt fora da música ou sem estar numa banda e descobrimos atividades que nem imaginávamos.  Um dia normal na minha vida?  Acordo as 05:30 da manhã, levo meu filho na escola, retorno a casa para verificar os e-mails já que sou o responsável pelo merchandising online das bandas e coordeno coisas para a próxima turnê.  Também compro e vendo armas online, deixando claro que em Texas é permitido fazer isto e é como um segundo emprego, um extra.  Compro armas por internet e revendo, é o que faço.  Algumas vezes saio para testar as armas se tenho tempo.  Já no final do dia meu filho retorna da escola e o acompanho nas aulas de guitarra...Quantos anos ele tem? Treze anos.  Ele tem futuro no D.R.I.? Ele bem que gostaria (risos) mas prefiro que tenha sua própria banda.


Com relação ao Felix Griffin, ainda tem contato com este que foi baterista do D.R.I. por tantos discos?  Claro!  Ele também tem outra banda, tocamos juntos algumas vezes, eu com o Pasadena e ele com sua banda no mesmo palco, sua banda se chama Blunt Force Trauma (mesmo nome do segundo disco do Cavalera Conspiracy) eles estiveram na Europa ano passado, em Dezembro e nos encontramos por aqui quando estávamos em turnê com o Sick of it all e Blood For Blood.


O D.R.I. retorna a Europa em Junho para alguns festivais como o Hellfest por exemplo...Já tocamos em grandes festivais antes e não nos importamos em tocar no menor palco do evento porque normalmente podem ter umas trezentas pessoas aí e o show é mais intenso.  Pra mim, quando olho e vejo que tem muita gente tenho vontade de vomitar de nervoso (risos), não quero sair...Igualmente é interessante pra vocês tocar em festivais, ainda que seja festival metal, punk, etc...Sim, o D.R.I. é uma das poucas bandas que se encaixa em todos os tipos de festival, tocamos em festival metal, ou podemos ser headliners de um festival punk-rock, no mês seguinte num death-metal e depois num de grindcore como já aconteceu na Republica Tcheca onde só haviam bandas de grindcore e nós.  Nos Estados Unidos a coisa não funciona assim porque os festivais giram em torno de coisas comerciais, o punk-rock é bem popular e algumas bandas de metal mas não se admira tanto o death metal ou grindcore quanto na Europa a ponto de conseguir juntar tantas bandas para realizar um festival.  O festival da Vans tem até estação de rádio pra você ter idéia.  Tem também o Ozzyfest mas são festivais de maiores dimensões e comerciais, nada comparado ao que acontecer na Europa.  


E finalmente chegamos nos shows que os americanos farão no Brasil no mês de Abril em Curitiba, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e São Paulo.  Gostaríamos de saber o que os fãs brasileiros podem esperar do D.R.I. atual?  Com certeza temos um setlist muito bom, que agradará a quem gosta do D.R.I. em todas as fases, claro que bem misturado e que dá uma média de uma hora e meia de concerto, muita coisa antiga, quer dizer, tudo que temos é antigo (risos) mas no setlist tem muita coisa mais antiga no sentido de início de carreira, dos dois primeiros discos que foram rápidos e curtos, misturados a fase crossover para deixar a coisa mais interessante.  Esperamos também que os organizadores não utilizem barricadas para que tenham muitos stage-dives...Não tenho certeza de todas as cidades mas no Rio de Janeiro será no mesmo teatro que tocou Jello Biafra ano passado e não tinha barricada, o público correspondeu bastante.  Nesta turnê não podemos reclamar, todos os lugares que tocamos foram de tamanho perfeito, nada excessivamente grande ou pequeno, simplesmente perfeito pra gente.  Lugares com capacidade de até 500 pessoas por noite e totalmente lotados, pessoas "stage-diving", mosh-pitting e é exatamente o que queremos.  Não queremos tocar em lugares para cinco mil pessoas que ao final só irão quinhentas pessoas ou em lugares para cem pessoas e do lado de fora tenham 300 pessoas querento entrar.  A cada noite que tocamos ou está lotado ou muito perto disto.  


Já apresentando sinais de cansaço pedimos alguma mensagem para o público brasileiro.  Desculpa por ficar tanto tempo sem aparecer, estivemos ocupados com coisas diversas e outros motivos já comentados aqui.  Estamos felizes por poder ir ao Brasil novamente e já planejamos um retorno antes mesmo do previsto já que existe a possibilidade de tocar junto ao Slayer na turnê pretendem fazer, seria brutal ter Slayer e D.R.I. na mesma noite.




 

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Black Flash by Snap Live Shots, al contrario de lo que muchos imaginan, no es un Blog de música pero un registro de una única persona en el mundo de la musica con una cámara de fotos en las manos. Casi todo el contenido ha sido registrado, editado y publicado por un único personaje. Amante del Rock en general, vio en la fotografia su gran oportunidad de acercarse de sus grupos favoritos y ver a conciertos por otra perspectiva.