Paradoxo foi a este que é um dos maiores festivais de música do verão europeu para conferir os novos nomes do rock, ao lado de alguns dinossauros musicais
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| Portishead by Snap Live Shots |
anos evitando coincidências, decidiram este ano travar uma queda-de-braço e agendaram seus festivais na mesma data, cada um apresentando seu cardápio musical.
Alheio a tudo isto e dando o tiro de partida aos eventos, o Estrella Damm Primavera Sound'08 apresentou figuras conhecidas e muita tendência, o que só confirma sua proposta de levar ao público seu ecletismo em música independente, sem deixar de lado a presença de grandes nomes.
O início não-oficial, ou seja, uma preliminar do que seria o festival, começou no sábado 24 de maio, com shows em estações de metrô da cidade de Barcelona, na Espanha. Porém somente na terça-feira 27 de maio é que a Paradoxo se mandou para a sala Sidecar e iniciou a cobertura do festival com dois shows muito interessantes e distintos.
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| Twinkranes by Snap Live Shots |
O primeiro da noite foi Twinkranes [foto], um trio de Dublin [Irlanda] que faz um rock eletrônico/ psicodélico ou progressivo pop. O grupo é formado por um guitarrista, um tecladista e pelo baterista/vocalista, apesar de as músicas conterem pouca ou nenhuma letra. Assim como suas raras palavras em suas canções, o grupo é pouco comunicativo: simplesmente, chegou, tocou e deixou o público boquiaberto.
Em seguida veio Voice of the Seven Woods, outra atração do Reino Unido, que, ao contrário do grupo anterior,
chegou ao palco com seu violão, um banquinho e sentou-se rodeado de pedais. O músico foi aos poucos fazendo seu som acústico e demonstração a todos o porquê de ter sido escolhido para estar no PS08. Ele seguiu com seu jogo de bases acústicas, pedais e solos até formar uma parede sonora, o que dava a impressão de haver, no palco, vários músicos, quando na verdade
era apenas um simples e tímido sujeito com sua aparência genial de "vim tocar bossa".
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| The Clientele by Snap Live Shots |
Na noite seguinte, foi a vez de conferir o indie pop dos The Clientele - mais um grupo britânico que agradou, apesar do excesso de melancolia. Mas quem mais conquistou o público naquela noite foi La Orquestra Del Caballo Ganador, e foi perfeito para utilizar a velha frase "de onde menos se espera...". Muitos foram embora depois dos Clientele e outros nem sabiam que ainda tocaria outra banda. Sem firulas, os seis jovens de La Orquestra subiram ao palco: dois bateristas, dois guitarristas, um saxofonista e um maestro que logo de cara deu suas coordenadas. “Quando eu levantar o braço esquerdo todos devem rir, podem rir da gente se quiserem", adestrava o público. “Braço direito, e todos conversam. Dois braços, e todo mundo sacode as chaves de casa que carregam no bolso.” Já dá para imaginar o que foi o show? Parece até piada, mas o som de La Orquestra Del Caballo Ganador é uma massaroca sonora das boas, de qualidade, divertida, sem compromisso, porém só dá certo ao vivo.
Dia 1 - 29/05/2008 - Clássicos e revelações do rock.
Depois de imensas filas para conseguir entrar, foi o momento de começar a conferir o que de melhor o festival poderia oferecer. Isso ao se levar em conta que seria impossível conseguir conferir tudo o que seria apresentado ali: 150 shows em apenas três dias!
Ainda sob a luz do dia, se apresentou no palco Vice Jägarmeister o trio nova-iorquino Enon, com sua proposta que mistura indie, noise, um acabamento punk, e agradou em cheio - destaque para a baixista Toko Yasuda. Em seguida, no palco CD Drome, Eric's Trip deu as cartas com seu pop noise dos anos 1990. Após um período de separação que durou uma década [1996- 2006], o quarteto fez um show básico, sólido e preencheu as expectativas de seu público.
Retornando ao palco Vice Jägermeister, foi a vez de conferir British Sea Power [foto ao lado], um quinteto britânico que, ao lançar seu primeiro álbum, The Decline of British Sea Power [2003], se tornou um dos favoritos da imprensa espanhola. Atualmente, ao apresentar Do You Like Rock Music [2008], fizeram um show perfeito. Apesar de o novo trabalho ser mais limpo, o quarteto apresentou músicas de seu primeiro álbum com bastante post- punk
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| Public Enemy by Snap Live Shots |
Às 22h30 daquela quinta-feira, era hora de conferir a primeira grande atração do festival, no palco Rockdelux, o segundo maior do evento. O grupo de hip hop Public Enemy chega ao PS08 celebrando duas décadas de It Taks A Nation of Millions to Hold Us Back com uma versão mais modernizada da canção, com guitarra, baixista e baterista, além do tradicional DJ e sua tropa militar que marcha no palco. O tempo parece não passar para Chuck D e Flavor Flav: muito fôlego e voz em perfeitas condições desde Bring the Noise e Don't Believe the Hype. A única nota negativa do show foi a introdução, que ficou por conta da dupla de DJs do Bomb Squad. Teria funcionado perfeitamente se a mesma não durasse quase meia hora, o que cansou um pouco o público.
Na seqüência e no mesmo palco, entra o que para muitos era o grande nome do Primavera Sound 08: Portishead [foto capa]. Doze anos depois de sua primeira e única apresentação em Barcelona, e após uma década de mistério sobre seu fim [?!], o trio de Dublin supera as expectativas com seu show fantasmagórico, enquanto Glory Box e Cowboys, dos albuns Dummy [1994] e Portishead [1997] respectivamente, eram apresentadas. No telão, somente a silhueta distorcida de seus integrantes era exibida e, de quebra, teve até uma participação relâmpago de
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| De La Soul by Snap Live Shots |
Chuck D na música Machine Gun, do novo trabalho, Third [2008]. Após o show do Portishead houve uma debandada generalizada por parte do público, e o local ficou praticamente vazio. Levando em conta que a apresentação seguinte seria do De La Soul, ficou uma pergunta no ar: os nova-iorquinos teriam que se apresentar antes do Public Enemy e do Portishead, em outro palco ou em outro dia? Ficou nítido o desconforto de quem estava presente, tanto na platéia quanto no espaço reservado para imprensa. Afinal, lendas do hip hop estavam prestes a se apresentar para meia dúzia de gatos-pingados. Porém logo que começou a dar as bases, o DJ começou a anunciar que o De La Soul estava na área e, como que em um desabafo, perguntava onde estavam os fãs do Public e do Portishead.
Resultado: subiram ao palco como se fosse o último show de suas vidas, dando o máximo e contagiando quem passava pelo local. Foi como se o hip hop da paz ecoasse pelos cantos do recinto e buscasse um público que parecia ter esquecido de como era bom o show do trio. Em 15 minutos, o local encheu, pessoas descalças dançando, felizes, como se tivessem voltado no tempo e lembrado de uma época marcante. O De La Soul entrou no final do segundo tempo e virou um jogo que já estava praticamente perdido!
Às 2h30 da madrugada, quando a noite parecia finalmente encerrada e muitos já tomavam o caminho de casa, havia uma marcha em direção ao palco Vice. Estavam todos indo fechar a noite [apesar de outros vários shows programados] com Vampire Weekend, outro grupo de Nova York, considerado pela imprensa americana mais um filho do baby-boom do rock nova-iorquino. Os garotos fazem uma mistura de pop, com uma pitada de punk, injetando espirais rítmicas africanas e cadencias de reggae. Com isso, eles fizeram todo mundo dançar. Apesar do pouco espaço livre, até as escadarias que davam acesso ao local estavam lotadas, e o trio acabou eleito a grande revelação do festival na primeira noite.
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| Vampire Weekend by Snap Live Shots |
Dia 2 - 30/05/2008 - Nova-iorquinos invadem o PS08.
It's Not Not abriu o dia no palco Vice. Grupo espanhol que mistura hardcore, punk, indie e pop fez um excelente show, com destaque total para seu frontman, que deu um show à parte: pouco ficou no palco, passou a maior parte do tempo cantando e dançando na pista junto aos fãs da banda.
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| It's Not Not by Snap Live Shots |
Em seguida, foi a vez da estréia do palco Estrella Damm, considerado o maior do festival. Quem teve a honra de “cortar a fita” foi o trio britânico The Cribs [foto abaixo], que, com apenas dois anos de estrada, já gravou três discos, com participações de Lee Ranaldo [Sonic Youth], produção de Alex Kapranos [Franz Ferdinand]. Ainda este ano, o grupo entra em estúdio para gravar um EP com ninguém mais, ninguém menos que Johnny Marr [The Smiths]. Muito à vontade ao palco, com seu rock simples e direto, The Cribs matou a curiosidade de muitos presentes com um show à altura do tempo de estrada e da pouca idade dos rapazes – eles ainda vão dar muito o que falar.
De volta ao palco Vice, os suecos The Mary Onettes, recém-chegados de sua tour norte- americana, se declararam muito felizes por estar em Barcelona, tocando de frente para o mar em um lindo dia de sol. Com sua fusão de A-Ha e Jesus and The Mary Chain, o grupo apresentou um setlist recheado de boas músicas, como Lost, Void, além de passear pelo pós-punk, com Under the Guillotin - todas do disco homônimo.
Como abertura do palco Rockdelux para o segundo dia, os escolhidos foram Bishop Allen [foto esquerda], com seu indie pop em estado puro. The Broken Strings [2007], o segundo disco desses nova-iorquinos [Sim, Nova York invadiu o PS08!], é simplesmente o antídoto para conter os excessos experimentais dos dias atuais. Com sua música leve e agradável, como Click Click Click, Rain e Little Black Ache, o grupo dá a sensação de ter acontecido décadas atrás. O público prestigiou em massa o show dos rapazes e não saiu decepcionado.
Quase que atropelando um show no outro, no Estrella Damm já soavam os primeiros acordes do The Sonics - talvez o grupo mais injustiçado da cena punk. Mas o PS08 lhes deu a oportunidade de demonstrar que ainda há tempo para reconhecê-los, ao oferecer o maior palco do festival, o que esses senhores souberam aproveitar como se estivessem em casa apresentando Dirty Robber, Louie Louie, Have Love Will Travel, entre outros. O grupo deixou o palco ovacionado pelo público. Foi emocionante.
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| Bob Mould by Snap Live Shots |
The Bob Mould Band, liderada pelo mítico Bob Mould, ex-líder do Husker Dü, título, aliás, do qual não consegue se desvencilhar, apesar de seus lindos trabalhos em carreira solo e com sua banda anterior, Sugar. No palco All Tomorrow's Parties figurou o trio californiano Autolux, com seu estilo indie-noise muito bem elaborado. Com apenas um único disco no mercado, o bom Future Perfect [2004], apresentaram temas como Robots in the Garden e a indiscutível Turnstile Blues.
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| DEVO by Snap Live Shots |
Sendo apresentados como a grande estrela da noite, surgia no palco Estrella Damm os senhores do DEVO [foto] para confirmar de uma vez por todas seu posto na história da música. Vestidos a caráter, com seus uniformes amarelos que parecem ter saído de uma missão da NASA, quase três décadas depois da aparição de Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! [1978], e com mais de uma década sem lançar nenhum álbum de estúdio, eles não deixaram pedra sobre pedra ao apresentar temas como Mongoloid e Whip It do álbum Freedom of Choice [1980]. Enquanto se apresentavam, substituíram seus uniformes por roupas que mais pareciam lingerie, dando aquele toque de diversão e sarcasmo que só eles sabem dar.
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| A PLACE TO BURY STRANGERS by Snap Live Shots |
Para finalizar o segundo dia, o palco Rockdelux ainda recebeu a visita dos The Rumble Strips com seu pop açucarado e muito bem tocado. Mesmo em um horário ingrato [3:30 da manhã], o público até que compareceu em bom número para prestigiar o sopro de ar fresco dado por esses britânicos.
Dia 3 - 31/05/2008.
O terceiro e último dia do festival no recinto Fòrum ainda reservava bons nomes e algumas novidades. Entre elas o grupo catalão Madee, que, apesar de já estar no seu quarto álbum e figurar em capas de revistas especializadas pela Europa, se apresentou no palco CD Drome, o menor do festival. Sem ligar a mínima para isso, o grupo fez um show de muita qualidade e apresentou várias músicas do seu novo trabalho, L'Antartica [2007].
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| Buffalo Tom by Snap Live Shots |
Mais adiante, no Rockdelux e ainda sob a luz do dia, estava Buffalo Tom, representando os sobreviventes da época dourada da música independente, lançando Three Easy Pieces [2007]. Depois de praticamente uma década em silêncio, esses americanos marcaram presença e confirmaram que não esqueceram a fórmula da boa música.
Logo após, veio o que seria para muitos o show mais esperado da noite, Dinosaur Jr. Eles Tocaram na edição de 2006 do festival, um ano após sua reunião. Desta vez, lançando Beyond [2007], a expectativa era ainda maior - levando em consideração que o show de 2006 foi um dos melhores apresentados na edição. J. Mascis, Louw Barlow e Murph fizeram um bom show, mas não à altura. O show não foi ruim, mas para a expectativa criada em torno de sua apresentação, eles deixaram a desejar.
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| Shellac by Snap Live Shots |
Sem pausa para respirar, entrava no palco All Tomorrow's Party o que seria o show da noite. Todd Trainer, Bob Weston E Steve Albini retornam ao festival três anos após detestarem as estruturas do recinto Fòrum em uma atuação que ficou marcada na história do Primavera Sound. Com os instrumentos ligados e luzes apagadas, Weston e Albini estavam à mercê do vampiresco baterista Trainer, que, de costas para a platéia, terminava de fumar tranqüilamente. Todos sabiam que ao arremessar a guimba do cigarro e pendurar sua jaqueta de couro com tachinhas ao lado da bateria, a pancada ia comer solta. E não deu outra, parecia um terremoto. Era o anúncio de que o Shellac [foto acima] iniciava seus trabalhos. O lugar estava lotado e a grande sorte de quem chegou atrasado foram as rampas de acesso ao palco que eram em níveis mais altos do que a pista e dava tranquilamente para assistir o show independente da distância, ao centro já não cabia mais ninguém. A banda confirmou e superou as expectativas em show de lançamento do seu Excellent Italian Greyhound [2007] e o nome faz jus ao disco e principalmente ao concerto, nota 10 e melhor da noite.
Primavera Sound aos parques - 01/06/2008.
Os dias oficiais no Recinto Fórum terminaram na noite do dia 31/05, porém o festival ainda se estendeu e acabou, oficialmente, no domingo 1o de junho, com alguns shows gratuitos no
Parque Joan Miró.
Boas bandas se apresentaram por lá e até mereciam estar entre os grupos escolhidos para os dias do Fòrum, mas alguns grupos, como foi o caso dos suecos Torpedo [foto abaixo], tocaram naquele dia por chegarem, digamos, "atrasados" na lista do festival.
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| Torpedo by Snap Live Shots |
No Joan Miró havia dois palcos. Enquanto alguém ocupava um, o outro era preparado para o show seguinte. Dessa maneira, seis grupos se apresentaram entre 16h e 20h. Extraperlo, Le Pianc, Manos de Topo, April's Fool Day, The Radio Dpt e o já citado -e com destaque absoluto - Torpedo. Com apenas um disco lançado [ainda inédito em alguns países, incluindo a Espanha] In The Assembly Line [2007], esse excelente grupo de pop-
rock apresentou temas como Time Machine, In Assembly e Hospital, demonstrando que se não fosse o atraso na chegada, Pontus, Andreas, Love, Martin e Erik estariam tranquilamente tocando nos palcos principais do festival. Felizes os que compareceram e tiveram a oportunidade de assistir a um show de qualidade, sentados sob sombras de palmeiras e sem gastar um centavo.














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