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PRIMAVERA SOUND 2008 - COBERTURA COMPLETA (TEXTO + FOTOS)

Paradoxo foi a este que é um dos maiores festivais de música do verão europeu para conferir os novos nomes do rock, ao lado de alguns dinossauros musicais

Portishead by Snap Live Shots

Primavera Sound 
Parc del Fòrum, Sant Adriá, Barcelona
De 29/05 à 01/06/2008
Texto Y Fotos: Ana Paula Soares / Mauricio Melo & Snap Live Shots
*Originalmente Publicado na Revista Paradoxo

Barcelona, Espanha - Vem chegando o verão europeu e, com ele, saltam como pipocas os festivais musicais. Alguns novos, como é o caso do Daydream Festival e Doctor Loft, outros mais tradicionais, como o FIB Heineken e o Summercase, que, aliás, vale citar, depois de três

anos evitando coincidências, decidiram este ano travar uma queda-de-braço e agendaram seus festivais na mesma data, cada um apresentando seu cardápio musical.

Alheio a tudo isto e dando o tiro de partida aos eventos, o Estrella Damm Primavera Sound'08 apresentou figuras conhecidas e muita tendência, o que só confirma sua proposta de levar ao público seu ecletismo em música independente, sem deixar de lado a presença de grandes nomes.

O início não-oficial, ou seja, uma preliminar do que seria o festival, começou no sábado 24 de maio, com shows em estações de metrô da cidade de Barcelona, na Espanha. Porém somente na terça-feira 27 de maio é que a Paradoxo se mandou para a sala Sidecar e iniciou a cobertura do festival com dois shows muito interessantes e distintos.

Twinkranes by Snap Live Shots

O primeiro da noite foi Twinkranes [foto], um trio de Dublin [Irlanda] que faz um rock eletrônico/ psicodélico ou progressivo pop. O grupo é formado por um guitarrista, um tecladista e pelo baterista/vocalista, apesar de as músicas conterem pouca ou nenhuma letra. Assim como suas raras palavras em suas canções, o grupo é pouco comunicativo: simplesmente, chegou, tocou e deixou o público boquiaberto.

Em seguida veio Voice of the Seven Woods, outra atração do Reino Unido, que, ao contrário do grupo anterior,

chegou ao palco com seu violão, um banquinho e sentou-se rodeado de pedais. O músico foi aos poucos fazendo seu som acústico e demonstração a todos o porquê de ter sido escolhido para estar no PS08. Ele seguiu com seu jogo de bases acústicas, pedais e solos até formar uma parede sonora, o que dava a impressão de haver, no palco, vários músicos, quando na verdade 

era apenas um simples e tímido sujeito com sua aparência genial de "vim tocar bossa".

The Clientele by Snap Live Shots

Na noite seguinte, foi a vez de conferir o indie pop dos The Clientele - mais um grupo britânico que agradou, apesar do excesso de melancolia. Mas quem mais conquistou o público naquela noite foi La Orquestra Del Caballo Ganador, e foi perfeito para utilizar a velha frase "de onde menos se espera...". Muitos foram embora depois dos Clientele e outros nem sabiam que ainda tocaria outra banda. Sem firulas, os seis jovens de La Orquestra subiram ao palco: dois bateristas, dois guitarristas, um saxofonista e um maestro que logo de cara deu suas coordenadas. “Quando eu levantar o braço esquerdo todos devem rir, podem rir da gente se quiserem", adestrava o público. “Braço direito, e todos conversam. Dois braços, e todo mundo sacode as chaves de casa que carregam no bolso.” Já dá para imaginar o que foi o show? Parece até piada, mas o som de La Orquestra Del Caballo Ganador é uma massaroca sonora das boas, de qualidade, divertida, sem compromisso, porém só dá certo ao vivo.

Dia 1 - 29/05/2008 - Clássicos e revelações do rock.

Depois de imensas filas para conseguir entrar, foi o momento de começar a conferir o que de melhor o festival poderia oferecer. Isso ao se levar em conta que seria impossível conseguir conferir tudo o que seria apresentado ali: 150 shows em apenas três dias!

Ainda sob a luz do dia, se apresentou no palco Vice Jägarmeister o trio nova-iorquino Enon, com sua proposta que mistura indie, noise, um acabamento punk, e agradou em cheio - destaque para a baixista Toko Yasuda. Em seguida, no palco CD Drome, Eric's Trip deu as cartas com seu pop noise dos anos 1990. Após um período de separação que durou uma década [1996- 2006], o quarteto fez um show básico, sólido e preencheu as expectativas de seu público.

Retornando ao palco Vice Jägermeister, foi a vez de conferir British Sea Power [foto ao lado], um quinteto britânico que, ao lançar seu primeiro álbum, The Decline of British Sea Power [2003], se tornou um dos favoritos da imprensa espanhola. Atualmente, ao apresentar Do You Like Rock Music [2008], fizeram um show perfeito. Apesar de o novo trabalho ser mais limpo, o quarteto apresentou músicas de seu primeiro álbum com bastante post- punk

Public Enemy by Snap Live Shots

Às 22h30 daquela quinta-feira, era hora de conferir a primeira grande atração do festival, no palco Rockdelux, o segundo maior do evento. O grupo de hip hop Public Enemy chega ao PS08 celebrando duas décadas de It Taks A Nation of Millions to Hold Us Back com uma versão mais modernizada da canção, com guitarra, baixista e baterista, além do tradicional DJ e sua tropa militar que marcha no palco. O tempo parece não passar para Chuck D e Flavor Flav: muito fôlego e voz em perfeitas condições desde Bring the Noise e Don't Believe the Hype. A única nota negativa do show foi a introdução, que ficou por conta da dupla de DJs do Bomb Squad. Teria funcionado perfeitamente se a mesma não durasse quase meia hora, o que cansou um pouco o público.

Na seqüência e no mesmo palco, entra o que para muitos era o grande nome do Primavera Sound 08: Portishead [foto capa]. Doze anos depois de sua primeira e única apresentação em Barcelona, e após uma década de mistério sobre seu fim [?!], o trio de Dublin supera as expectativas com seu show fantasmagórico, enquanto Glory Box e Cowboys, dos albuns Dummy [1994] e Portishead [1997] respectivamente, eram apresentadas. No telão, somente a silhueta distorcida de seus integrantes era exibida e, de quebra, teve até uma participação relâmpago de

De La Soul by Snap Live Shots

Chuck D na música Machine Gun, do novo trabalho, Third [2008]. Após o show do Portishead houve uma debandada generalizada por parte do público, e o local ficou praticamente vazio. Levando em conta que a apresentação seguinte seria do De La Soul, ficou uma pergunta no ar: os nova-iorquinos teriam que se apresentar antes do Public Enemy e do Portishead, em outro palco ou em outro dia?  Ficou nítido o desconforto de quem estava presente, tanto na platéia quanto no espaço reservado para imprensa. Afinal, lendas do hip hop estavam prestes a se apresentar para meia dúzia de gatos-pingados. Porém logo que começou a dar as bases, o DJ começou a anunciar que o De La Soul estava na área e, como que em um desabafo, perguntava onde estavam os fãs do Public e do Portishead.

Resultado: subiram ao palco como se fosse o último show de suas vidas, dando o máximo e contagiando quem passava pelo local. Foi como se o hip hop da paz ecoasse pelos cantos do recinto e buscasse um público que parecia ter esquecido de como era bom o show do trio. Em 15 minutos, o local encheu, pessoas descalças dançando, felizes, como se tivessem voltado no tempo e lembrado de uma época marcante. O De La Soul entrou no final do segundo tempo e virou um jogo que já estava praticamente perdido!

Às 2h30 da madrugada, quando a noite parecia finalmente encerrada e muitos já tomavam o caminho de casa, havia uma marcha em direção ao palco Vice. Estavam todos indo fechar a noite [apesar de outros vários shows programados] com Vampire Weekend, outro grupo de Nova York, considerado pela imprensa americana mais um filho do baby-boom do rock nova-iorquino. Os garotos fazem uma mistura de pop, com uma pitada de punk, injetando espirais rítmicas africanas e cadencias de reggae. Com isso, eles fizeram todo mundo dançar. Apesar do pouco espaço livre, até as escadarias que davam acesso ao local estavam lotadas, e o trio acabou eleito a grande revelação do festival na primeira noite.

Vampire Weekend by Snap Live Shots


Dia 2 - 30/05/2008 - Nova-iorquinos invadem o PS08.

It's Not Not abriu o dia no palco Vice. Grupo espanhol que mistura hardcore, punk, indie e pop fez um excelente show, com destaque total para seu frontman, que deu um show à parte: pouco ficou no palco, passou a maior parte do tempo cantando e dançando na pista junto aos fãs da banda.

It's Not Not by Snap Live Shots

Em seguida, foi a vez da estréia do palco Estrella Damm, considerado o maior do festival. Quem teve a honra de “cortar a fita” foi o trio britânico The Cribs [foto abaixo], que, com apenas dois anos de estrada, já gravou três discos, com participações de Lee Ranaldo [Sonic Youth], produção de Alex Kapranos [Franz Ferdinand]. Ainda este ano, o grupo entra em estúdio para gravar um EP com ninguém mais, ninguém menos que Johnny Marr [The Smiths]. Muito à vontade ao palco, com seu rock simples e direto, The Cribs matou a curiosidade de muitos presentes com um show à altura do tempo de estrada e da pouca idade dos rapazes – eles ainda vão dar muito o que falar.

De volta ao palco Vice, os suecos The Mary Onettes, recém-chegados de sua tour norte- americana, se declararam muito felizes por estar em Barcelona, tocando de frente para o mar em um lindo dia de sol. Com sua fusão de A-Ha e Jesus and The Mary Chain, o grupo apresentou um setlist recheado de boas músicas, como Lost, Void, além de passear pelo pós-punk, com Under the Guillotin - todas do disco homônimo.

Como abertura do palco Rockdelux para o segundo dia, os escolhidos foram Bishop Allen [foto esquerda], com seu indie pop em estado puro. The Broken Strings [2007], o segundo disco desses nova-iorquinos [Sim, Nova York invadiu o PS08!], é simplesmente o antídoto para conter os excessos experimentais dos dias atuais. Com sua música leve e agradável, como Click Click Click, Rain e Little Black Ache, o grupo dá a sensação de ter acontecido décadas atrás. O público prestigiou em massa o show dos rapazes e não saiu decepcionado.

Quase que atropelando um show no outro, no Estrella Damm já soavam os primeiros acordes do The Sonics - talvez o grupo mais injustiçado da cena punk. Mas o PS08 lhes deu a oportunidade de demonstrar que ainda há tempo para reconhecê-los, ao oferecer o maior palco do festival, o que esses senhores souberam aproveitar como se estivessem em casa apresentando Dirty Robber, Louie Louie, Have Love Will Travel, entre outros. O grupo deixou o palco ovacionado pelo público. Foi emocionante.

Bob Mould by Snap Live Shots

The Bob Mould Band, liderada pelo mítico Bob Mould, ex-líder do Husker Dü, título, aliás, do qual não consegue se desvencilhar, apesar de seus lindos trabalhos em carreira solo e com sua banda anterior, Sugar. No palco All Tomorrow's Parties figurou o trio californiano Autolux, com seu estilo indie-noise muito bem elaborado. Com apenas um único disco no mercado, o bom Future Perfect [2004], apresentaram temas como Robots in the Garden e a indiscutível Turnstile Blues.

DEVO by Snap Live Shots

Sendo apresentados como a grande estrela da noite, surgia no palco Estrella Damm os senhores do DEVO [foto] para confirmar de uma vez por todas seu posto na história da música. Vestidos a caráter, com seus uniformes amarelos que parecem ter saído de uma missão da NASA, quase três décadas depois da aparição de Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! [1978], e com mais de uma década sem lançar nenhum álbum de estúdio, eles não deixaram pedra sobre pedra ao apresentar temas como Mongoloid e Whip It do álbum Freedom of Choice [1980]. Enquanto se apresentavam, substituíram seus uniformes por roupas que mais pareciam lingerie, dando aquele toque de diversão e sarcasmo que só eles sabem dar.

Parece mesmo que o palco Vice se tornou celeiro das revelações do festival. Na segunda noite, A Place to Bury Strangers [foto direita] marcaram sua presença no evento. Auto- proclamados “a banda mais barulhenta de Nova York”, com influências de Jesus and The Mary Chain, My Bloody Valentine, Bauhaus
e até The Cure - ainda que a lista de influências seja interminável... o grupo
estreou em Barcelona com um shoegaze espetacular e muito
barulhento como era de se esperar. Pouca luz no palco, muita distorção,
voz praticamente oculta e um público vibrante: combinação perfeita, apesar do local não estar tão cheio quanto na noite anterior, quando Vampire Weekend se apresentou. Destaque para as músicas Breath, To Fix the Gash in Your Head, I Know I'll See You e Never Going Down.

A PLACE TO BURY STRANGERS by Snap Live Shots

Para finalizar o segundo dia, o palco Rockdelux ainda recebeu a visita dos The Rumble Strips com seu pop açucarado e muito bem tocado. Mesmo em um horário ingrato [3:30 da manhã], o público até que compareceu em bom número para prestigiar o sopro de ar fresco dado por esses britânicos.

Dia 3 - 31/05/2008.

O terceiro e último dia do festival no recinto Fòrum ainda reservava bons nomes e algumas novidades. Entre elas o grupo catalão Madee, que, apesar de já estar no seu quarto álbum e figurar em capas de revistas especializadas pela Europa, se apresentou no palco CD Drome, o menor do festival. Sem ligar a mínima para isso, o grupo fez um show de muita qualidade e apresentou várias músicas do seu novo trabalho, L'Antartica [2007].

Buffalo Tom by Snap Live Shots

Mais adiante, no Rockdelux e ainda sob a luz do dia, estava Buffalo Tom, representando os sobreviventes da época dourada da música independente, lançando Three Easy Pieces [2007]. Depois de praticamente uma década em silêncio, esses americanos marcaram presença e confirmaram que não esqueceram a fórmula da boa música.

Logo após, veio o que seria para muitos o show mais esperado da noite, Dinosaur Jr. Eles Tocaram na edição de 2006 do festival, um ano após sua reunião. Desta vez, lançando Beyond [2007], a expectativa era ainda maior - levando em consideração que o show de 2006 foi um dos melhores apresentados na edição. J. Mascis, Louw Barlow e Murph fizeram um bom show, mas não à altura. O show não foi ruim, mas para a expectativa criada em torno de sua apresentação, eles deixaram a desejar.

Shellac by Snap Live Shots

Sem pausa para respirar, entrava no palco All Tomorrow's Party o que seria o show da noite. Todd Trainer, Bob Weston E Steve Albini retornam ao festival três anos após detestarem as estruturas do recinto Fòrum em uma atuação que ficou marcada na história do Primavera Sound. Com os instrumentos ligados e luzes apagadas, Weston e Albini estavam à mercê do vampiresco baterista Trainer, que, de costas para a platéia, terminava de fumar tranqüilamente. Todos sabiam que ao arremessar a guimba do cigarro e pendurar sua jaqueta de couro com tachinhas ao lado da bateria, a pancada ia comer solta. E não deu outra, parecia um terremoto. Era o anúncio de que o Shellac [foto acima] iniciava seus trabalhos. O lugar estava lotado e a grande sorte de quem chegou atrasado foram as rampas de acesso ao palco que eram em níveis mais altos do que a pista e dava tranquilamente para assistir o show independente da distância, ao centro já não cabia mais ninguém. A banda confirmou e superou as expectativas em show de lançamento do seu Excellent Italian Greyhound [2007] e o nome faz jus ao disco e principalmente ao concerto, nota 10 e melhor da noite.

Primavera Sound aos parques - 01/06/2008.

Os dias oficiais no Recinto Fórum terminaram na noite do dia 31/05, porém o festival ainda se estendeu e acabou, oficialmente, no domingo 1o de junho, com alguns shows gratuitos no

Parque Joan Miró.

Boas bandas se apresentaram por lá e até mereciam estar entre os grupos escolhidos para os dias do Fòrum, mas alguns grupos, como foi o caso dos suecos Torpedo [foto abaixo], tocaram naquele dia por chegarem, digamos, "atrasados" na lista do festival.

Torpedo by Snap Live Shots

No Joan Miró havia dois palcos. Enquanto alguém ocupava um, o outro era preparado para o show seguinte. Dessa maneira, seis grupos se apresentaram entre 16h e 20h. Extraperlo, Le Pianc, Manos de Topo, April's Fool Day, The Radio Dpt e o já citado -e com destaque absoluto - Torpedo. Com apenas um disco lançado [ainda inédito em alguns países, incluindo a Espanha] In The Assembly Line [2007], esse excelente grupo de pop-

rock apresentou temas como Time Machine, In Assembly e Hospital, demonstrando que se não fosse o atraso na chegada, Pontus, Andreas, Love, Martin e Erik estariam tranquilamente tocando nos palcos principais do festival. Felizes os que compareceram e tiveram a oportunidade de assistir a um show de qualidade, sentados sob sombras de palmeiras e sem gastar um centavo. 

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Black Flash by Snap Live Shots, al contrario de lo que muchos imaginan, no es un Blog de música pero un registro de una única persona en el mundo de la musica con una cámara de fotos en las manos. Casi todo el contenido ha sido registrado, editado y publicado por un único personaje. Amante del Rock en general, vio en la fotografia su gran oportunidad de acercarse de sus grupos favoritos y ver a conciertos por otra perspectiva.